Antônio Campos, advogado e escritor, pertence à Academia Pernambucana de Letras, é presidente do Instituto Maximiano Campos e curador da Fliporto. Linha direta com o escritor: camposad@camposadvogados.com.br
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Criação Imperfeita
Marcelo Gleiser é físico, astrônomo, escritor e professor da Dartmouth College, em New Hampshire nos EUA. No Brasil é colunista da Folha de São Paulo, mas ficou conhecido por escrever obras sobre física para o público leigo, como “A Dança do Universo” e “O Fim da Terra e do Céu” . Lançou recentemente sua obra Criação Imperfeita. O livro que faz uma reflexão de 250 anos de pensamento científico e que vai de encontro com um dos maiores mitos da ciência e da filosofia ocidental: o de que uma Unidade nos liga ao resto do universo.
Há milhares de anos a física tenta explicar como funciona a natureza e afirma que a mesma é a encarnação científica do monoteísmo. Não é de hoje que cientistas afirmam que, escondido na complexidade existente na natureza há uma única realidade que, por sua vez, é mais fácil de ser compreendida. A “Teoria do Tudo” liga as tradicionais leis da física, que regem grandes corpos e grandes forças, à ideia de que as partículas, apesar de pequenas são essenciais. Foi com o objetivo de comprovar essa tese que o autor escreveu a obra. O professor e escritor Stuart Kauffman acredita que Criação Imperfeita representa o inicio de uma fase onde a sociedade verá o mundo e suas mutações de maneira diferente.
Gleiser desmonta um dos maiores mitos da ciência e da filosofia ocidentais: o de que a Natureza é regida pela perfeição. Em Criação Imperfeita, o cientista brasileiro destaca a importância de coisas imperfeitas no desenvolvimento da matéria e do ser humano. Ele acredita ainda que a assimetria de algumas coisas é responsável por algumas das propriedades básicas da natureza e que as transformações que ocorrem no mundo são fruto de algum desequilíbrio. Inverte a ideia do poeta Vinicius de Moraes, onde “beleza é fundamental”, pois alega que o imperfeito é que deve ser celebrado ao invés da perfeição.
Gleiser argumenta que todas as evidências apontam para uma realidade onde as imperfeições e as diferenças são imprescindíveis na matéria e no tempo. O livro sugere um novo “humanocentrismo”, onde todo e qualquer tipo de vida é, segundo o autor, “raro e preciso”. Para o astrônomo, o surgimento de todas as estruturas materiais é fruto de alguma assimetria. O prêmio Nobel de Química, Roald Hoffman, concorda com o pensamento do autor e afirma que Gleiser é uma espécie de “guia lúcido” para encontrar a beleza em um universo cheio de imperfeições.
Antônio Campos | Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br
O século 21 é marcado por uma transição para a era da economia do conhecimento. A riqueza revolucionária da 3ª Onda, defendida por Alvin Toffer, é cada vez mais baseada no conhecimento e está muito associada à tecnologia. O Brasil pode ser o melhor dos Brics, através do fortalecimento da economia criativa. Transformar inventividade em competitividade. A tendência é aumentar a riqueza gerada pela economia baseada no desenvolvimento das indústrias culturais e de criatividade. A revisão da legislação que envolve o direito autoral é um importante instrumento para o desenvolvimento dessa economia criativa no País.
Em 1998, quando a Lei dos Direitos Autorais foi promulgada, o Brasil vivia um cenário completamente diferente do que temos agora. As novas formas de mídias sociais, sites de compartilhamento de arquivos e todas as novidades tecnológicas fizeram dos dias de hoje diferentes dos que vimos há cerca de dez anos. Ferramentas como a internet, pen drives, mp3, iPods, leitores digitais, CDs e DVDs modificam as maneiras mais tradicionais de disseminar conteúdos e produções artísticas.
Nesse descompasso entre a atual lei autoral brasileira e a nova realidade do mundo digital, é que esta é considerada a quarta pior lei do mundo pela ONG Consumers International IP Watch List. Ela limita excessivamente o acesso do consumidor para o uso privado e não comercial, conhecido nos Estados Unidos como uso justo. Na lei atual, não há permissão, por exemplo, para cópias de livros didáticos cujas edições já se esgotaram.
Atento a essa nova realidade, o Ministério da Cultura discute, desde 2005, a possibilidade de revisar a Lei de nº 9.610/98 que regulamenta o direito autoral, devendo o anteprojeto de reforma entrar em breve em consulta pública no site do MinC.
A busca por mais estabilidade entre o direito do autor e os direitos do cidadão comum para acessar a educação, cultura, informação e conhecimento; o aperfeiçoamento do trato legal entre o autor e editoras/gravadoras e a regulação/fiscalização eficaz do direito autoral são apontadas pelo diretor de Direitos Intelectuais do MinC, Marcos Souza, como as principais razões para a reforma.
O desequilibrio nos contratos entre gravadoras e compositores, que privilegia demasiadamente a livre negociação contratual merece mais atenção. É necessária uma regulação e supervisão mais eficazes das sociedades de gestão coletiva a fim de criar critérios mais justos e transparentes na distribuição de direitos autorais.
É fato que a lei dos direitos autorais precisa se moldar às novas tendências e formato do mundo globalizado. Afinal, essas mudanças não têm volta. A grande questão do processo de mudança na legislação é garantir um maior debate com os compositores, escritores e produtores culturais para um arcabouço jurídico que proteja os direitos do autor, mas que crie mecanismos que permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento do cidadão comum e o desenvolvimento da economia criativa.
Antônio Campos
Escritor e advogado
camposad@camposadvogados.com.br
Apresentar novas dimensões aos problemas entre as diferentes culturas e chamar a atenção para questões que afetam diretamente os países como emigração, fome e educação. Esses foram alguns dos eixos temáticos discutidos durante o 3º Fórum da Aliança de Civilizações, que reuniu cerca de 7 mil participantes de 100 países, no Rio de Janeiro. Realizado entre os dias 28 e 29 de maio, o encontro abordou questões referentes aos conflitos mundiais e diferenças culturais, além de propor soluções, através do diálogo, para superação de conflitos entre as nações.
A Aliança de Civilizações é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas, cujo objetivo é mobilizar a opinião pública a fim de superar preconceitos e idéias que, muitas vezes, geram conflitos entre países e etnias diferentes. Foi inicialmente proposta pelo presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, na 59ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), logo após os atentados terroristas no metrô de Madri em 2004.
O evento acontece em boa hora, pois métodos para melhorar o convívio ou diálogo entre culturas ou indivíduos, admitindo diferenças, sem discriminações, passou a ser um dos principais desafios do século XXI. Atualmente, as relações ou diálogos entre as culturas estão sendo alteradas pelos deslocamentos de imigrantes, como também pela crescente interdependência entre as sociedades pelo efeito da globalização.
Exemplo disso é o que acontece em Los Angeles, segunda cidade em número de mexicanos, e Buenos Aires é a segunda em número de bolivianos. O que significa ser europeu, num continente marcado não apenas pelas culturas de suas antigas colônias, mas também por outras culturas e povos oriundos de migrações ou diásporas pós-coloniais?
Recentemente, a Suíça proibiu novas cúpulas de mesquitas. Debate-se na França o uso da burca e a edição de uma legislação proibindo o uso de vestimentas árabes, quando cerca de 1,5 milhões de muçulmanos vivem na região de Paris. Cresce o medo de terrorismo, na Alemanha, num momento em que a comunidade muçulmana chega a mais de 2 milhões de habitantes.
No seu livro Choque de Civilizações, o sociólogo Samuel P. Huntington previu que, depois da guerra fria, as disputas se dariam no terreno da cultura e da religião. O historiador Eric Hobsbawm comentou em entrevista publicada na Folha de São Paulo, em abril de 2010, que: “Hoje, porém, o fator xenofóbico do nacionalismo é cada vez mais importante. Trata-se de algo muito mais cultural que político”.
Jorge Sampaio, ex-presidente de Portugal e alto representante da ONU no Fórum Aliança de Civilizações, ressaltou duas notas em entrevista recentemente publicada: “Em primeiro lugar, entendo que a governança democrática da diversidade cultural se tornou questão central do desenvolvimento sustentável enquanto o seu quarto pilar, para além das dimensões econômica, social e ambiental. Em segundo lugar, a questão das relações entre o Ocidente e o islã comporta uma vertente global, e nesse sentido interessa a todos independentemente do tecido étnico, cultural e religioso de cada”.
O Brasil, que é um País mestiço, marcado pela mistura de várias raças, deve ser motivo de estudos quanto à tolerância e convívio entre etnias e culturas. Prescindimos de identidade, porque temos todas elas. O Brasil pode e deve ser um paradigma importante para o diálogo entre culturas e etnias no mundo contemporâneo. Esse traço marcante da mistura racial do Brasil foi objeto de estudos de alguns brasileiros, destacando-se o sociólogo Gilberto Freyre.
Ultimamente o Brasil tem papel relevante nas relações diplomáticas internacionais, destacando-se o acordo firmado entre o Brasil, Irã e Turquia, que mostra um caminho de diálogo entre o ocidente e o islã. O cineasta Oliver Stone, diretor do filme “Platoon”, comentou em visita ao Brasil que o país é muito importante no mundo, mas que a parceria firmada com o Irã pode não ser bem vista por todos. “Nós queremos paz. Nós não queremos uma guerra. E a situação do Irã pode se tornar outro caso como o Iraque. Me parece que os Estados Unidos estão interessados em outra marcha para a guerra”, afirmou.
Está no centro da vida contemporânea o desafio de construir pontes, diálogos construtivos de paz, entre culturas que estão em choque real ou aparente, em sociedades cada vez mais interculturais. É preciso lutar contra os comportamentos de discriminação e de condenação do ôdiferenteö. Resistir contra a tentação fácil da xenofobia e do racismo de toda espécie. Diálogo é a palavra chave do mundo contemporâneo: entre artes, etnias, religiões, culturas.
Antônio Campos
Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br
mai
28
O escritor e filósofo Slavoj Žižek nasceu em Liubliana, na antiga Iugoslávia. Atua como professor na European Graduate School e no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. Žižek é conhecido pelas suas teorias sobre o real, o simbólico e o imaginário.
Extrai seu pensamento do idealismo alemão e da psicanálise, sendo fortemente influenciado por Lacan, Marx, Hegel e Schelling. Žižek defende o “Real em sua violência extrema como o preço a ser pago pela retirada das camadas enganadoras da realidade”. Afirma que o real é um enigma que não deve ser equiparado com a realidade que enxergamos. Segundo ele, nossa realidade foi construída a partir de símbolos. A realidade seria uma ficção. É preciso analisar constantemente aspectos como o antagonismo social, a vida, a morte e a sexualidade para compreender melhor esse contexto no qual estamos inseridos.
A obra de Slavoj Žižek tem estado na linha de frente do debate filosófico, político e cultural nos últimos tempos. Da teoria da ideologia até a crítica da subjetividade, a ética, a globalização, o espaço cibernético, nos estudos sobre cinema, no cognitivismo, na teologia e na música, a influência do sociólogo se estende amplamente no mundo contemporâneo. Suas intervenções continuam a provocar debates e a transformar nossa maneira de pensar.
As ideias do filósofo estão presentes em várias obras, entre elas “Eles não sabem o que fazem: o sublime objeto da ideologia”, “O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan”, “Um mapa da ideologia”, “As portas da revolução”, “Arriscar o impossível” e “Bem-vindo ao deserto do Real!”.
No livro “Bem-vindo ao deserto do Real”, Žižek alega que os arquétipos de uma superestrutura capitalista globalizante não deixam as pessoas enxergarem a realidade, mas apenas uma falsa reprodução da mesma.
O filme Matrix (1999), sucesso dos irmãos Wachowski, levou essa teoria ao ápice. Na teoria, a realidade material que sentimos e vemos à nossa volta é virtual. Tudo é gerado e coordenado por um gigantesco computador ao qual estamos ligados.
No filme, o herói, interpretado por Keanu Reeves, acorda e se depara com a cidade de Chicago completamente destruída após uma guerra global. O líder da resistência, Morpheus, lança-lhe uma estranha saudação: “Bem-vindo ao deserto do real”. Essa frase é exatamente uma metáfora do que vivemos.
O homem vive preso a uma matriz materialista, mas somos mentais e espirituais. O mundo é mental. A intenção move o universo. Tornamo-nos aquilo que pensamos.
Há quem diga que a vida real acontece quando adormecemos. No momento que acordamos estamos dormindo, pois o homem acordado é tridimensional e sente o tempo linearmente, no tempo do “não tempo”. Ao dormir e/ou ativar o lado direito do cérebro seria possível despertar uma quarta dimensão, a intuição, conectando uma grande rede cósmica numa quinta dimensão.
Somos parte de uma realidade ficcional. Ilusória. Onde nada existe. Tudo foi construído. Precisamos despertar para o mundo real. É um pouco do pensamento desse filósofo, cuja obra merece ser melhor conhecida.
Antônio Campos
Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br
Artigo foi publicado no Jornal do Brasil. Lei mais em: http://jbonline.terra.com.br
Na ultima quarta-feira (19) foi inaugurada em Jaboatão dos Guararapes a Escola Técnica Estadual Maximiano Campos. O Governo do Estado de PE investiu R$ 3 milhões para reformar o antigo prédio da Rede Ferroviária, onde já funcionou a Escola de Aprendizagem. A nova unidade tem capacidade para 960 alunos, que poderão escolher entre os cursos de Logística ou de Rede de Computadores.
A homenagem ao escritor, que é pai do escritor, advogado e acadêmico Antônio Campos e do governador Eduardo Campos, foi sugerida pelo deputado estadual Eduardo Porto. Maximiano nasceu no Recife, em 19 de novembro de 1941, trabalhou na Fundação Joaquim Nabuco e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Escreveu durante sua vida 17 livros e na década de 70 participou do lançamento do Movimento Armorial, criado pelo também escritor e teatrólogo, Ariano Suassuna.


