Flashs da palestra “Terrenos da Marinha”, por Roberto J. Pugliese. Apresentação de Antônio Campos

No dia 25 de novembro de 2009, a Campos Advogados e a Noronha Advogados promoveram a palestra Terrenos da Marinha, do advogado Roberto J. Pugliese, seguida do lançamento do livro Dos Terrenos da Marinha e seus Acréscimos. A apresentação do palestrante foi feita por Antônio Campos a um auditório seleto e atento à essa temática.


Antônio Campos recebe o diploma “Neolatinidade 2009″

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DIPLOMA NEOLATINIDADE 2009

Durante o III Festival Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas Neolatinas – FESTLATINO – o escritor e poeta Antônio Campos, presidente do Instituto Maximiano Campos, recebeu o diploma Neolatinidade 2009 que distingue personalidades que se destacaram pela sua contribuição à promoção das línguas e culturas neolatinas. Entre os agraciados, a carioca Nélida Piñon recebeu o diploma “Escritora Símbolo da Neolatinidade 2009″.

Humberto França, criador e organizador do evento, declarou que o festival atua “no sentido de ampliar os vínculos entre os países europeus de línguas neolatinas, os países ibéricos, a América Latina os Estados membros do Mercosul e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”.

PALESTRA

A temática afinizada com a da Fliporto 2009: “Literatura Ibero-americana. Interdependências e Contemporaneidades”, Festa da qual Antônio Campos é curador há 3 anos, foi motivo para a palestra Diálogo cultural na América Latina proferida por ele nesta quarta-feira, 25 de novembro, às 17:30h, no auditório da Aliança Francesa do Recife.

“Diálogo Cultural na América Latina”, por Antônio Campos

Palestra realizada nesta quarta-feira, 25 de novembro, às 17:30h, no auditório da Aliança Francesa do Recife, durante o III Festival Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas Neolatinas – FESTLATINO

Agradeço o convite para participar desse painel do III Festlatino – Festival Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas Neolatinas, nas pessoas de Humberto França e Jacques Ribemboim.
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O tema Os desafios da neolatinidade: o diálogo cultural e as línguas neolatinas na Europa-África-América Latina é muito grato a mim, que venho advogando a idéia de uma maior integração cultural dos países iberoamericanos, que falam línguas neolatinas.

1. O DIÁLOGO

É preciso pensar o nosso continente como uma comunidade cultural e não um arquipélago de países pouco relacionados entre si. É preciso alargar o diálogo. Festivais como estes servem para refletirmos sobre esse diálogo e descobrirmos possíveis caminhos.

Precisamos sair do etnocentrismo para o diálogo entre culturas, questionando o modelo eurocêntrico. Há necessidade de atenção ao processo de descolonização cultural das Américas, pois há marcas da colonização ainda arraigadas.

A América Latina fala essencialmente o português e o espanhol, que são línguas neolatinas.

Há quem diga que a língua é a nossa pátria mais íntima. E é.

“Sou apenas um rapaz latino-americano”, diz a canção de Belchior.

O que é ser latino – americano? Qual a nossa identidade? As nossas raízes? As nossas confluências?

2. LATINO – AMERICANO

Para o escritor peruano Vargas Llosa, ser latino-americano é ter consciência que, as demarcações territoriais que dividem nossos países são artificiais, impostas de maneira arbitrária na época colonial, sendo o denominador comum dessas comunidades muito mais profundo do que as diferenças particulares.

Perguntado se era cubano ou argentino, respondeu Ernesto Che Guevara: “sou cubano, argentino, boliviano, peruano, equatoriano [...], considero que a minha pátria não é a Argentina, mas toda a América”. Era o sonho de Che. É o sonho de muitos que lutaram nesse continente.

3. A IDENTIDADE

Mário Vargas Llosa, em seu Dicionário Amoroso da América Latina, fala sobre a identidade da América Latina:

“A riqueza da América Latina consiste em ser tantas coisas ao mesmo que faz dela um microcosmo no qual coabitam quase todas as raças e culturas do mundo. Cinco séculos após a chegada dos europeus às praias, cordilheiras e selvas, os latino-americanos de origem espanhola, portuguesa, italiana, alemã, chinesa ou japonesa são tão oriundos do continente quanto os que têm antecessores nos antigos astecas, toltecas, maias, quíchuas, aimaras ou caribes. E a marca deixada pelos africanos no continente, no qual estão há cinco séculos, se vê por todos os lados: nos tipos humanos, na fala, na música, na comida e até em certas formas de praticar a religião. Não é exagero dizer que não há tradição, cultura, língua e raça que não tenha contribuído com alguma coisa para esse fosforescente turbilhão de misturas e alianças que acontece em todos os aspectos da vida na América Latina. Esse amálgama é sua riqueza. Ser um continente que carece de identidade porque tem todas elas.”

Nós somos a civilização do futuro porque somos a mistura de várias raças, a raça total, ou a chamada raça cósmica apregoada pelo mexicano José Vasconcelos.

4. A LITERATURA

A beleza e a complexidade da América Latina ressaltam-se a partir de seus textos literários. É a literatura que mostra as chaves principais e significativas do processo social, histórico e econômico, que permite entender de maneira mais profunda o que somos, o que vivemos, o que sonhamos. A criação literária latino-americana exige uma revisão do passado a partir do presente, uma vez que dilui fronteiras, mantendo, no entanto, suas diferenças e contradições. Conhecer a realidade latino-americana através de sua literatura implica, não só fazer uma viagem em suas várias geografias, mas compreender o sujeito migrante em seus contextos centro/periferia, âmbito rural/ âmbito urbano. Do Caribe à Amazônia, dos Andes à Patagônia. Vivência e vigência mítica, quer voltadas ao cosmopolitismo das vanguardas, quer ao dinamismo psíquico dos contos e romances de realismo mágico.

É vasto o painel literário da América Latina. É o continente que produziu O Senhor Presidente de Miguel Angel Astúrias, assim como Eu Supremo de Augusto Roa Bastos, e O Outono do Patriarca de Gabriel Garcia Márquez, sendo o mesmo em que surgem as obras de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, onde predomina a inovação estética do realismo fantástico. Já Alejo Carpentier vai contrapor ao racionalismo europeu um mundo de deuses, de vodu e entidades fantásticas, em que o delírio da imaginação intervala com o trabalho, a dor e o sacrifício do homem.

Podemos citar o Brasil de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros.

A mitologia asteca é tão rica como a grega. Apenas, menos conhecida.

5. DIÁLOGO ENTRE AUTORES NA ÁMERICA LATINA

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Destaco o diálogo cultural entre Eduardo Galeano e o artista pernambucano J. Borges, por exemplo. Este ilustrou o livro Palavras Andantes de Galeano.

Eduardo Galeano fez a conferência de abertura da Fliporto 2009 baseado no seu livro Espelhos. A Fliporto fez exposição e oficina de cordel com J. Borges.

É de se registrar, entre outros diálogos relevantes, que Euclides da Cunha com os seus Os Sertões (1902) inspirou Mário Vargas Llosa no seu famoso romance A Guerra do Fim do Mundo (1981) sobre Canudos.

“Outro tipo de afinidade – de uma certa visão encantada de mundo – é perceptível entre Jorge Amado e o colombiano Gabriel García Márquez, que , com certeza, também prestou bastante atenção em Guimarães Rosa. O autor de Grande Sertão:Veredas (1956) se aproxima ainda do realismo maravilhoso do cubano Alejo Carpentier e do guatemalteco Miguel Angel Astúrias. Há, também, uma notável semelhança entre o argentino Roberto Arlt e Lima Barreto. Ao longo do século 20, o diálogo continuou, por exemplo, com Murilo Rubião e Júlio Cortázar, dois grandes nomes da literatura fantástica.

Atualmente, uma espécie de realismo urbano, voltado sobretudo para o tema da violência, liga parte da prosa brasileira à colombiana, em textos, cujo trabalho estilístico dá lugar a uma prosa que varia entre a diluição jornalística e o apelo sentimental. São tiroteios, traficantes e jovens descobrindo o sexo em pequenos hotéis da fronteira. Exemplos dessa tendência na Colômbia são as obras de Efraim Medina Reyes e Fernando Vallejo.” (Oscar Pilagallo, revista Bravo, maio de 2007, Quem é quem na nova onda da literatura latino-americana).

6. A FLIPORTO

A Fliporto – Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas pretende ser um porto de diálogos do grande mar latino americano. Na edição de 2009, trouxemos, novamente, expoentes dessa literatura latino–americana e ibérica. Foi um grande intercâmbio cultural.

Há cinco anos, insisto em dizer, a Fliporto constrói um intercâmbio entre culturas, entre autores, leitores, editores. Ponte que liga Porto de Galinhas às Américas, à Europa, às Áfricas.

Temos o olhar contemporâneo das nossas raízes. E do diálogo entre mundos cria-se novas realidades, num processo dialético e de síntese.

O que é ser latino- americano? O que é ser autóctone? O que é ser ibérico? Não temos respostas prontas; os teóricos, que as sabem de cor, nunca estão de acordo. Entre as perguntas e as respostas incompletas preferimos as que nos acordam e que nos inquietam. E as compartilhamos na Fliporto, que busca discutir a nossa identidade cultural. Portugal e Espanha, com a contribuição dos negros e índios, pariram o novo mundo. Esses mundos são inseparáveis.

A nossa nova Ibéria, tão sonhada pela Fliporto, formada pelo novo mundo e pela Península Ibérica é liberta, libertária e libertadora. Vem de Joaquim Nabuco, de Frei Caneca, de Abreu e Lima, de Bolívar, José Martí, José Artigas, e de tantos outros que fizeram história e contribuíram com a nossa cultura.

Conhecer mais profundamente Portugal, Espanha e os nossos países vizinhos é o melhor caminho para compreender o Brasil, país marcado pela miscigenação, que desponta como uma das grandes potências do século XXI.

Diante do cenário atual, onde o Brasil se apresenta como o país do presente e do futuro, desempenhando um papel de relevo no mundo, tenho convicção de que a literatura há de, merecidamente, ser uma grande protagonista dessa nova era.

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7. DIREITO A SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

Ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1982, Gabriel Garcia Márquez reivindicava para a América Latina o direito de construir – com a mesma originalidade com que foi consagrada sua extraordinária capacidade de criação na literatura, nas artes plásticas, no cinema e no teatro – a sua própria história.

Esse direito dos países latino-americanos é inalienável. O diálogo entre culturas, línguas e literaturas é trilha da auto-determinação dos povos na construção de suas histórias e identidades, que suas artes retratam ou reinventam tão bem.

Essa é a maior resposta aos versos de Carlos Drummond de Andrade:

“Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?”

Muito obrigado pela atenção.
Antônio Campos
Advogado e escritor
camposad@camposadvogados.com.br

“O futuro do livro”. Uma homenagem da Fliporto Digital ao seu gestor Antônio Campos

Eduardo Galeano , Antônio Carlos Secchin, Mário Hélio, Gonçalo M. Tavares, Laurentino Gomes e o próprio Antônio Campos, em entrevista no lounge da Fliporto Digital, opinam sobre o tema. “O futuro do livro”. Iniciativa de sua equipe de reportagem, à frente a jornalista Niumízia Alves. O trabalho resultou nesta edição em vídeo:

Antônio Campos na Fliporto Digital 2009 – Entrevista

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